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A desnutrição : o principal desafio

O que é a desnutrição ?

A desnutrição é um estado patológico que se caracteriza por um desequilíbrio do balanço energético, isto é, uma insuficiência do aporte energético em relação às necessidades do organismo. Numa pessoa idosa, a desnutrição adota uma forma particular : falamos de desnutrição energético-proteica. Define-se por uma carência em proteínas e em energia, frequentemente acompanhada por uma carência em vitaminas e em oligoelementos.

Alguns números sobre a desnutrição

Segundo a Alta Autoridade da Saúde  de França(2007), a desnutrição atinge :

  •        4 a 10% das pessoas idosas que vivem nos seus domicílios;
  •        15 a 38% das pessoas institucionalizadas (casas de repouso, unidades de cuidados continuados...)
  •        Até 70% das pessoas idosas hospitalizadas.
  •        No envelhecimento normal, as modificações do organismo favorecem a ocorrência de desnutrição. O avançar da idade pode fazer-se acompanhar de perturbações do apetite que podem conduzir a um consumo alimentar insuficiente. Falamos então de anorexia do envelhecimento para explicar este fenómeno.
     
  •        Observamos igualmente uma resistência ao restabelecimento do estado nutricional com o avanço da idade: a pessoa idosa, contrariamente a um jovem adulto, não compensa os seus aportes energéticos depois de um período de jejum (que ocorre por exemplo depois de uma hospitalização). É assim extremamente importante antecipar e atuar na prevenção.
     
  •        Por fim, observamos na pessoa idosa modificações do metabolismo proteico que conduzem a uma diminuição progressiva da massa magra (reservas musculares) a favor da massa gorda. Este mecanismo, denominado de sarcopenia (perda muscular) pode, contudo, ser compensado por uma atividade física regular e um aporte em proteínas adaptado por via alimentar.

As pessoas idosas, uma população de alto risco para a desnutrição

Três fatores de risco para a desnutrição: 

  •        No envelhecimento normal, as modificações do organismo favorecem a ocorrência de desnutrição. O avançar da idade pode fazer-se acompanhar de perturbações do apetite que podem conduzir a um consumo alimentar insuficiente. Falamos então de anorexia do envelhecimento para explicar este fenómeno.
     

  •        Observamos igualmente uma resistência ao restabelecimento do estado nutricional com o avanço da idade: a pessoa idosa, contrariamente a um jovem adulto, não compensa os seus aportes energéticos depois de um período de jejum (que ocorre por exemplo depois de uma hospitalização). É assim extremamente importante antecipar e atuar na prevenção.
     
  •        Por fim, observamos na pessoa idosa modificações do metabolismo proteico que conduzem a uma diminuição progressiva da massa magra (reservas musculares) a favor da massa gorda. Este mecanismo, denominado de sarcopenia (perda muscular) pode, contudo, ser compensado por uma atividade física regular e um aporte em proteínas adaptado por via alimentar.

Ter em conta as necessidades específicas das pessoas idosas para lutar contra a desnutrição.

 

DRI* para pessoas idosas

DRI* para pessoas idosas desnutridas

Energia

36 Kcal/Kg peso corporal

Até 40 Kcal/Kg peso corporal

Proteínas

de 1,0-1,2 g/Kg peso corporal

Até 1,5 g/Kg peso corporal

* Ingestão Diária Recomendada para a população francesa. Martin A. et al. Tec & doc, 3e édition, Paris 2011

Causas da desnutrição 

A desnutrição pode ser:

  •        Endógena: as necessidades energéticas da pessoa tornam-se muito importantes em relação aos aportes. Está relacionada com um hipercatabolismo (degradação importante de proteínas, lípidos e glícidos no organismo) sem uma compensação pela alimentação. É um mecanismo de defesa imunitária que procede doenças e estados inflamatórios agudos ou crónicos.
  •        Exógena: Os aportes energéticos são escassos em relação às necessidades da pessoa porque esta diminui o seu consumo alimentar. Nas pessoas idosas, vários fatores sociais, psicológicos e fisiológicos podem conduzir a uma insuficiência do aporte.

 

Existem também muitas ideias pré-concebidas sobre a alimentação das pessoas idosas.

De facto, há pessoas que pensam que as necessidades energéticas diminuem com a idade, apesar de os aportes energéticos deverem ser, no mínimo iguais  aos de jovens adultos. 

As consequências para as pessoas idosas desnutridas: a espiral da desnutrição

Nas pessoas idosas, a desnutrição é um ciclo vicioso já que cada evento associado à desnutrição altera consideravelmente o estado nutricional do paciente. A insuficiência do aporte energético traduz-se normalmente numa perda de peso. Daí resulta um estado de fragilidade que se traduz por sua vez em episódios patológicos cada vez mais longos e frequentes. É difícil de voltar a um bom estado nutricional uma vez desencadeado o processo de desnutrição.